E N Q U A N
T O OP R O M E T E M O SO
OO
D I AO D AO
C O R A G E M
1
Não
sei como se adivinham
tempestades. No fim de uma estação
as borboletas morrem e o vento quebra
em varandas altas. É por trás dos vidros
que nos defendemos contra todas as surpresas.
Morremos de antemão. E já sob trovoada
assombra-nos o voo dos pássaros à chuva.
2
Todos sabemos
acender um fósforo
a quem nos pede lume.
Talvez fosse
uma conversa
possível até ao fim. Mas o mais vulgar
é ficarmos onde estamos
com o fósforo aceso à beira do rosto
e antes
de haver tempo
a chama queima os dedos.
3
Pequenos negócios,
olhares lançados
sem dilatação. Dedos a tocar
mármores tão frios. Sombras sem memória
de mesas de cafés. Tudo apagamentos
como um jornal esquece
mais um dia.
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