C A N Ç
à OO D EO
L A G A
Era em Laga,
setembro e as suas águas
ardiam na nossa boca. Passou
tanto tempo que para morrer
só me faltou voltar àquela praia.
Tu tinhas vinte anos, roías
as unhas, sujavas a camisa
com o molho das ameijoas, eu pouco
mais tinha, nenhum de nós sabia
como é monstruoso amar assim
com os dias contados pelos dedos.
Hoje o verão entrou de rompante
pela casa dentro, vinha do mar,
trazia a luz molhada do teu corpo,
o difícil amor que dói ainda.
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