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RUI CÓIAS
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Um lugar é o que de nós fica intocado. Durante anos o saibro muda em volta
e não ouvimos. Mas aquilo que
são os amieiros inclinados para um lado
e a hera reduzindo-se ao extremo nada que é música, não pensamento, é alguma coisa
que acontece uma vez só.
Estamos no sítio, como um cerco à terra. Não
como mar entrando pelo meio
mas como terra pesada que caminha. Nada se cumpre; é o começo; porém é chegada a hora de
na longa cabeça escura, à porta do ruído, tudo ficar para morrer. Sob
aqueles contornos a manhã cai num ímane
e conquanto lhe seja dado espaço para de novo emergir em cada curva
escolheu arrastar-se em círculos vagarosos, em passos à
chuva, por um obscuro desígneo.
Eu avançava; estava rodeado; os homens erguiam-se, na voz cheia de ar pediam à irlanda
uma história de amor. Eu avançava
ia na linha direita, na corrente via a minha gestação, um passado muito no início; porque eu nascera
e por toda a parte, num segundo, fui
amarrado no cimo de uma força a abrir fendas
que vêem verdes quase ruivos, ruivos ficarem nítidos.
Assim como eu ficava a ver-te
a grande distância começava; o silêncio para lá do silêncio – nada mais haver
do que em vez de interrogar
sabermos, por um dom subitamente áspero, passível de nos fazer perceber que num instante,
unicamente num instante na profundidade,
temos no sangue mesmo antes de nascermos, antes de o aceitarmos como dor,
a trémula urze que se ouve, o adeus que se respira.

 
Relâmpago n.º 26
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