Tangia a sua
ferida rente à boca
se tivesse boca.
E ouvia no ar o ritmo do seu sangue
se o seu sangue corresse.
Assim é
apenas o fantasma da ópera
da minha rua.
Às duas
da manhã há muito que passou
o carro da limpeza.
E os homens luminosos, no seu enleio de símios,
não levaram consigo o luxuoso lixo
que ficou invisível nos seus
cantos sinistros.
Na loja dos
300 uma luz incendeia
esta rua barata de encontro
às minhas costas.
Onde colará
o bobo os lábios do seu grito?
À porta do meu prédio?
No seio amolecido da viúva?
No sexo em decadência do casado?
Rapazes, devagar,
deixaram no passeio
sinais de uma boda feliz com todos os seus deuses.
Mas ele, o
bobo do som ressuscitado
uivou por fim
junto do mais jovem
descobrindo a seringa no blusão de marca
para se despir do mundo.