Como é vária
a vida de um homem
celebrando o Agosto sem julgar celebrar coisa alguma.
O escândalo é coisa para outros, não para ti,
meu caro Mário, e eu que me subtraio à tua alegria
de jovem sem rodeios ou obtusa gravidade,
e eu distante.
Não fosse este
escrúpulo idiota
assoreando mágoas, assolando-se de dívidas
para com os civilizados da literatura,
fugir-me-ia para a homenagem.
O mar abre-se ao azul
como a flor heliotrópica ao sol.
Faz um secreto bem procurar o fio
que horizonte e rebentação entretecem,
visitar hipocampos enlouquecidos
e navios alados,
visões e videntes no dia claro.
Há boas razões
para estarmos aqui.
Eu neste arrazoado poético,
e tu no teu bom senso de banhista feliz.
Mas nenhuma forte o bastante para continuarmos aqui.
Do mar, é entrar e sair,
e à margem do Agosto e dos fins
permanecer.