Passai, manadas com patas anti-bloqueio,
garrotes pré-tensores, olhos de xénon,
tubos de explosão gástrica,
passai enquanto enfio a cabeça na terra,
na pouca que resta mas acolhe
anémicas papoilas,
gafanhotos subnutridos
e dois renques de couves a desmaiar
na vazante do alcatrão.
Deixai-me com meus renques
de salsa, menta e hortelã.
Pássaros não os ouço,
vejo-lhes o enxame das asas
além, a romper dos teixos
sempre que buzina um camião.
Acossado por rails,
sitiado pelo asfalto viscoso
de tanto gato decalcado,
cultivo derreado o meu quintal.
Se gritasse agora
nem as toupeiras me ouviriam
(quanto mais as ordens dos anjos). |