Onde mete você a moral, meu caro amigo,
repetiam ao professor escocês, que sob a saia
ocultava segredos que já sabia resolver.
Teólogo e natural, como o Adão,
ele cria nos homens, pobrezinho,
e tudo viria por acréscimo, derramado
dos dedos do boneco, de um boneco no mundo.
Perto do fim da vida, pelos sessenta e sete,
ficou talvez sabendo que buscar o secreto
é que demais importa, ah, muito mais
que saber resolvê-lo. E que no mundo
não há boneco, cuco de relógio
que diga a hora onde não há hora certa.